Sustentabilidade, economia solidária, ecologia, reciclagem, recursos renováveis: quando essas palavras começaram a surgir, pensava-se ser mais uma tendência, um modismo, mas o tempo mostrou que era muito mais que isso. De nossas ações passava a depender o meio ambiente que deixaríamos às gerações futuras.

Os danos ao planeta resultaram de vários fatores: poluição causada pelo descarte inadequado de resíduos por agroindústrias e pela população, desmatamento, queimadas, entre outras. A agricultura e a pecuária são grandes responsáveis por parte desses danos. Como forma de se estudar, analisar e encontrar meios de começar a reverter os danos causados – e de minimizá-los, entrou em cena a ecologia. Mais adiante a ecologia se uniu à agronomia, formando uma ciência focada nos meios de produção rural, que ganhou o nome de Agroecologia.

Vamos falar sobre esse assunto neste artigo, abordando os tópicos do curso de agroecologia do portal de cursos online: Enfoque Capacitação. Por meio das questões tratadas aqui, você conhecerá um pouco mais sobre agroecologia, seus fundamentos e como a ciência impacta no desenvolvimento rural sustentável.

Da Revolução Verde à Agroecologia

Não se sabe ao certo desde quando a agricultura existe, mas acredita-se que os primeiros sistemas de cultivo tenham surgido no período neolítico, aproximadamente 8.000 anos a.C. Com o passar do tempo, o homem foi descobrindo mais a respeito de práticas agrícolas e as foi aperfeiçoando, até que no século 20, mais precisamente após a Segunda Guerra Mundial, a agricultura evoluiu a patamares jamais vistos até então, fato que ficou conhecido como Revolução Verde.

Tratava-se de um conjunto de medidas, como a introdução de melhorias genéticas nas plantações e a evolução dos equipamentos de produção agrícola, além do uso indiscriminado de agrotóxicos e fertilizantes químicos, fatores que ampliavam a produção de alimentos. Isso foi a “mola propulsora” para a produção de alimentos em grande escala.

A Revolução Verde promoveu o desenvolvimento da agricultura no mundo inteiro, mas impactou de forma violenta no meio ambiente, sem contar a concentração de terras pelos latifundiários e a derrocada dos minifundiários, os pequenos produtores que não tinham como encarar a forte concorrência e se viram em situação de pobreza, lutando para sobreviver. Isso causou o êxodo rural, quem não conseguia sobreviver de sua produção, passou a mudar para os centros urbanos.

Na década de 70 começaram a surgir movimentos agrícolas alternativos ao modo convencional, se posicionando contra o uso abusivo de insumos industrializados e tentando um rompimento da monocultura, em uma tentativa de redesenhar os sistemas de produção para minimizar os efeitos nocivos da agricultura contra o meio ambiente. Surgia também, nessa década, a agroecologia, que nortearia esses movimentos agrícolas, questão tratada em nosso próximo tópico.

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A agricultura no contexto da Agroecologia

Um dos primeiros conceitos estudados em nosso curso online é o que é agroecologia. Trata-se da ciência que se dedica à agricultura sob o viés da ecologia, usando seus fundamentos para embasar teoricamente práticas para os diversos movimentos agrícolas não convencionais. Conhecida também como agricultura orgânica, ela fornece alternativas para que se produza de forma consciente, utilizando os recursos disponíveis na natureza e evitando a artificialização dos ambientes naturais pela agricultura convencional.

A agroecologia trabalha no ambiente de agroecossistemas e com o desenvolvimento de sistemas agrícolas diversificados, tendo como objetivos a ampliação e conservação da biodiversidade desses sistemas para promover o desenvolvimento rural sustentável.

A agricultura sustentável se baseia em dois pontos principais: o respeito ao meio ambiente e ser economicamente viável. Entre seus princípios estão:

  • Prática de agricultura orgânica, sem pesticidas e adubos químicos. A diminuição dos adubos químicos é obtida pela técnica de fixação biológica de nitrogênio;

  • Criação de sistemas de captação de águas das chuvas e uso desses sistemas para a irrigação;

  • Evitar o desmatamento para ampliação de áreas agrícolas;

  • Uso da agroenergia, a energia gerada no campo, como os biocombustíveis. Evitar o uso de combustíveis fósseis, optando sempre pelas fontes limpas e renováveis;

  • Adoção de técnicas que evitem a poluição do solo, ar e água;

  • Adoção do sistema de plantio direto: a) o solo não é arado antes do plantio; b) o solo é coberto com folhagens secas; e c) é feita a rotação de cultura;

  • Valorização da agricultura familiar, responsável pela geração de trabalho e renda para famílias rurais, evitando assim o êxodo rural;

  • Respeitar as leis trabalhistas, investir em capacitação profissional dos trabalhadores e pagar-lhes salários justos. Não utilizar trabalho escravo nem mão-de-obra infantil.

Um dos princípios fala sobre a capacitação dos trabalhadores rurais - eles, mais do que ninguém, precisam saber o que é agroecologia em todos os seus aspectos e estar alinhados com os princípios da ciência e com todas as práticas que levam ao desenvolvimento rural sustentável.

Também os profissionais da área, como topógrafos, engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas e em agropecuária, peritos ambientais, entre outros, precisam estar atualizados sobre práticas sustentáveis no campo e na lavoura. Seja qual for o segmento de atuação, se tiver relação com as formas de produção rural, um curso de agroecologia dará uma contribuição ímpar em conhecimentos e atualizações nesse campo.

3 mitos sobre a Agroecologia

Há uma guerra fria entre a agroecologia e o agronegócio. A agricultura orgânica e a agricultura familiar são alternativas reais à agroindústria, mas há alguns mitos criados em torno dessas duas alternativas, que precisam ser desmitificados. Vamos ver?

  1. Sistemas agroecológicos são economicamente inviáveis: talvez a questão seja pela visão superficial que se tem ao comparar o agronegócio e a agroecologia. Enquanto o primeiro envolve produção em latifúndios e altos custos de produção, a agroecologia está fortemente relacionada aos custos baixos de produção e tem no trabalho humano e na fotossíntese seus insumos principais. Já o agronegócio precisa de insumos externos, que representam entre 60% e 80% de seu custo total. Outro fator que mostra claramente que não há inviabilidade é o custo ambiental, que a agricultura convencional repassa tanto à sociedade quanto às futuras gerações.

  2. A agroecologia é menos produtiva que a agricultura tradicional: na verdade, a agroecologia é tão ou mais produtiva que a tradicional. Além disso, apresenta uma vantagem bastante significativa: a produção agroecológica enriquece o solo, tanto que ele pode continuar produzindo cada vez mais, enquanto na agricultura convencional, uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos enfraquecem o solo e contaminam as águas, podendo deixar as terras improdutíveis e inférteis com o passar do tempo, se não forem tratados.

  3. Adotar a agroecologia significa retroceder: não, a agroecologia é cheia de conhecimentos e técnicas de cultivo. Grosso modo, se pode dizer que, enquanto a agricultura tradicional usa sempre a mesma receita (formas de plantio e cultivo, por exemplo) e a agroecologia adota várias receitas, por exemplo: novas formas de cultivo, diversos tipos de fertilizantes orgânicos e o conhecimento empírico dos agricultores, acumulado ao longo de gerações.

Agricultura orgânica: insumos agroecológicos

Cursos a distância voltados à agricultura ou agroecologia sempre terão um tópico direcionado aos insumos. Mas o que são insumos? De forma geral, são os investimentos e despesas necessários para um determinado resultado, produto ou mercadoria. Na atividade agrícola, é tudo o que é necessário para a produção animal ou vegetal: vacinas, adubos, sementes, fertilizantes, tratores, colheitadeiras etc.

Os insumos na agroecologia e sua classificação

Seja qual for o sistema de produção (agricultura convencional ou agricultura orgânica), a classificação dos insumos é a mesma. Eles se classificam em três tipos (com exemplos dos utilizados na agroecologia):

  1. Químicos ou minerais: são substâncias produzidas de forma artificial ou provenientes de rochas. Exemplo: fertilizantes de baixa solubilidade - aceitos por algumas correntes agroecológicas.

  2. Biológicos: são produtos de origem vegetal ou animal. Exemplos: restos de culturas (folhas, ramos, palhas), fertilizantes orgânicos líquidos, resíduos industriais resultantes do abate de animais (penas, pelos, sangue e outros), micro-organismos encontrados no ambiente, estercos usados como adubo e outros.

  3. Mecânicos: são os equipamentos e máquinas necessários para o trabalho. Exemplos: plástico para cobrir os canteiros, tratores, pulverizadores, equipamentos de irrigação e outros.

O modelo ecológico de agricultura faz o uso de insumos que não agridam a vida e a estrutura da terra, que não causem desequilíbrio no metabolismo de animais e plantas e que não provoquem nenhum tipo de risco ao agricultor e ao consumidor.

Curso de Agroecologia

A Agroecologia e as instalações rurais

O tópico “instalações rurais” é também tratado em cursos a distância que debatem e ensinam sobre o tema agroecologia, como o Curso Online Agroecologia do nosso portal. Aqui é tratada a importância de instalações sustentáveis, tanto na agricultura quanto na criação de animais.

As instalações rurais devem atender às necessidades dos produtores, seguir as normas legais que permitem a construção e usar todos os meios que as tornem sustentáveis.

São exemplos de instalações rurais: estufas, galpões de armazenamento, de beneficiamento, viveiros e outros. De forma geral, elas seguirão algumas normas:

  • Ter o destino adequado dos resíduos;

  • Atender as legislações federal, estaduais e municipais relativas ao controle sanitário, meio ambiente e segurança;

  • Ser economicamente viáveis;

  • Ser higiênicas, simples e funcionais, entre outras.

Manejo de dejetos e drenagem e sua relação com a agroecologia

Fatores importantes na agroecologia, o manejo de dejetos e drenagem são alguns dos cuidados que se deve ter para evitar problemas ambientais. Devem ser realizados de acordo com as exigências legais referentes ao meio ambiente, de acordo com o que estipulam os órgãos competentes. 

Manejo de dejetos

O manejo de dejetos de forma adequada é essencial à preservação ambiental. Os dejetos, em um primeiro momento, deverá ser utiizado como adubo orgânico. Quando não for possível, deve ser tratado de maneira a não oferecer riscos quando retornar à natureza. 

O adubo orgânico ajuda a nutrir o solo e aumentar a sua fertilidade. O manejo de dejetos para que se consiga transformá-os em adubo, é feito por meio de práticas que utilizam esterqueiras e composteiras, que os retêm por, pelo menos 120 dias, conforme orientações dos órgãos de fiscalização ambiental.

Drenagem

A drenagem é feita quando o solo não tem drenagem natural satisfatória. Essa prática remove o excesso de água da terra, e lhe dá condições melhores de estruturação, aeração e resistência.

Um dos principais benefícios da drenagem e que está ligado à agroecologia é o controle da salinidade, assim como a recuperação de solos salinos, principalmente porque a salinidade, se não tratada, pode trazer problemas de fertilidade à terra. A salinidade ocorre quando a má drenagem causa uma elevação do lençol freático e este apresenta uma alta concentração de sais, provenientes do acúmulo de fertilizantes aplicado no decorrer do tempo.

O aumento de uma frente salina pode alcançar as raízes das plantas e causar toxidez generalizada. A cidade de Sumer, na Mesopotâmia é um exemplo desse problema, cerca de 3.000 anos a.C, teve problemas graves com a salinização dos solos, por causa da intensa irrigação, o que conduziu a sua agricultura à decadência. É claro que atualmente isso dificilmente acontecerá, mas reforça a ideia de que esgotar os recursos naturais não é uma opção.

Permacultura e bioconstrução nas instalações rurais

Não há como falar em instalações rurais no contexto agroecológico e deixar de fora a permacultura e a bioconstrução. Permacultura, nomenclatura tirada do termo em inglês “Permanent Agriculture”, é um sistema de planejamento que visa a criação de ambientes sustentáveis e produtivos, que tenham harmonia e equilíbrio com a natureza.

A bioconstrução é um dos instrumentos da permacultura que utiliza o que há de recursos disponíveis no local, neste caso, nas propriedades rurais. Exemplos desses recursos são madeira, pedra, barro, cipó e terra, encontrados nas propriedades. É uma construção ecológica, a partir de materiais que não agridem o meio ambiente. A ideia é que se utilize o máximo de recursos com o mínimo de impacto ambiental, garantindo a sustentabilidade ao aproveitar a iluminação natural ao máximo, tratar e reaproveitar resíduos, coletar água das chuvas e várias outras formas de reciclagem e reaproveitamento.

As instalações rurais envolvem o trabalho de vários profissionais com conhecimentos em áreas como agronomia, engenharia, cartografia, topografia, zootecnia e agroecologia, citando algumas. Isso mostra o quanto cursos online com certificado podem ajudar na qualificação de quem atua em áreas relacionadas – um agrônomo, por exemplo, pode estender seus conhecimentos à cartografia e à agroecologia e ampliar sua linha de trabalho.

Quem está fazendo um curso técnico e de graduação pode se beneficiar com nossos cursos online. Estudantes de ciências agrárias, futuros técnicos agrícolas, agropecuários, agrônomos e outras disciplinas podem conciliar com seus estudos nosso curso de agroecologia. Além de aprender muito com um conteúdo atualizado e de qualidade, o curso online pode contar como os créditos exigidos em atividades complementares à graduação.

Topografia aplicada à Agroecologia

A topografia, necessária em qualquer sistema de produção, tem um papel primordial na agroecologia. A técnica proporciona, entre outras coisas, o escoamento superficial da água e o arraste do solo, ou seja, se tem um controle mais eficiente da água, assim como uma melhor distribuição. O resultado desse processo é que se consegue evitar a erosão e a perda de fertilidade da terra, um dos maiores problemas da agricultura convencional. Evitando ou desacelerando os processos erosivos, se consegue, a médio e longo prazo, recuperar áreas degradadas, evitando que se perca o solo.

Esse processo se chama nivelamento e sistematização do terreno, e outro ótimo resultado que oferece é que a irrigação se torna mais eficiente: é possível irrigar uma área maior com menor disponibilidade de água, que resulta no aumento do rendimento das máquinas.

A topografia é estudada no Curso Online Agroecologia do portal e também em outros cursos online, como o que aborda técnicas de agrimensura. Profissionais ou estudantes da área de topografia podem também contar com o Curso Online Introdução à Cartografia, assunto relacionado ao seu campo de trabalho.

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Agrometeorologia e climatologia

O desenvolvimento rural sustentável só é possível pela união de instrumentos, técnicas e práticas que visam utilizar os recursos naturais de forma inteligente e responsável. No tópico anterior vimos como a topografia contribui nesse cenário, neste tópico vamos ver a influência da climatologia e da agrometeorologia na agroecologia.

A Agrometeorologia é uma divisão especializada da Meteorologia. Também chamada de Meteorologia Agrícola, seu objetivo é bem focado: as condições atmosféricas e seus efeitos no ambiente rural. Todos os seus recursos são colocados a serviço das práticas agrícolas, buscando um melhor uso do solo para a produção máxima de alimentos sem abusar dos recursos da terra.

Já a climatologia indica qual o tipo de atividade agrícola é a mais viável em um certo local. Feito isso, a agrometeorologia dirá o nível de produtividade, em um período determinado, para a atividade apontada pela climatologia.

A agricultura depende das condições do tempo e do clima. Todas as suas etapas – do preparo do solo desde a semeadura até a colheita, o preparo, o transporte, o armazenamento – são afetadas pelas condições climáticas.

Uma das principais aplicações da agrometeorologia é no planejamento e também na tomada de decisões em processos produtivos rurais. O planejamento do uso da terra para que se desenvolva a agricultura sustentável, inclui três elementos que atuam em conjunto:

  • Zoneamento agroclimático: a delimitação feita pela climatologia, com base nas aptidões das regiões de cultivo;

  • Zoneamento agroecológico: é a aptidão edáfica (do solo). Diz respeito ao cultivo de acordo com a capacidade de uso do solo, adubação (ver ou orgânica) e calagem (uso de cal para corrigir a acidez do solo);

  • Zoneamento agrícola: é o levantamento de condições socioeconômicas.

Fique atento: concursos públicos para órgãos como o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento (MAPA), Institutos Técnicos Federais, entre outros, têm questões relacionas aos tópicos que vimos neste artigo, em sua prova de conhecimentos específicos. Se você estiver se preparando para concursos nas áreas de agricultura, pecuária e agroecologia, lembre que o Curso Online Agroecologia pode ser material de apoio para seus estudos. Além disso, nossos cursos online com certificado podem ajudar na prova de títulos, se o edital do certame previr que cursos livres contem na classificação.

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